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Devido a pandemia do novo coronavírus e o isolamento social com o “fique em casa”, muitas pessoas estão correndo o risco de ficar surda antes do que deveriam.

Com o trabalho em home office, muitos adultos e  as crianças também com as aulas remotas, estão passando mais horas com o fone ligado nos ouvidos. A perda de audição é natural com o envelhecimento. Alguns sons que costumávamos ouvir, quando jovens, com passar do tempo vão se apagando.

De acordo com as previsões da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de metade dos jovens entre 12 e 35 anos, isto é, 1.1 bilhão de pessoas em todo o mundo correm o risco de sofrer de perda auditiva.

Os ouvidos possuem entre 3 e 5 mil células que parecem cílios e são elas que captam a onda sonora que chega ao tímpano e levam essa informação para o cérebro processar. Elas são limitadas e não são “repostas”, em caso de perdas. Uma vez afetadas, não se recuperam.

Podemos ter a perda auditiva devido a um trauma acústico, quando há uma única exposição a um som extremamente alto, com explosões de intensidade sonora de 130 a 140 decibéis ou uma perda auditiva induzida por exemplo com sons muito altos, ou até mesmo com o uso contínuo dos fones de ouvidos.

 

LIMITES PARA O FONE DE OUVIDO

O volume máximo dos fones de ouvido é 105 a 110 decibéis. E o ouvido pode começar a ter danos se você passar mais de duas horas com nível acima de 85…

No volume máximo, pode começar a causar danos em 5 minutos!

Um dado importante: 1 hora por dia, com fone acima de 88db, corresponde à perda de 5% da audição em 5 anos.

Impacto: o indivíduo que escuta música com fones de ouvido a 100 db por 15 minutos está exposto ao mesmo nível de intensidade sonora de trabalhadores industriais, expostos a 85 db, em uma jornada de 8 horas.

COMO SABER QUAL O VOLUME ADEQUADO?

Verifique se as pessoas ao seu redor conseguem ouvir o que vem do fone. Se sim, é porque você precisa diminuir. E você, que está usando o fone, precisa ouvir o que está acontecendo ao seu redor. Se não ouvir, está acima do limite de decibéis.

Outra dica:  Se você tira o fone e tem um estranhamento, como um zumbido ou a sensação que os sons estão mais “abafados”, também é sinal que o volume está exagerado.  Mesmo que a sensação passe, você pode ter tido danos. E pequenos danos, como já falamos, vão se somando com o tempo.

Alguns smartphones avisam quando o volume está excessivo. Não ignore o alerta !

Abaixo dois aplicativos que ajudam a regular o som do computador:

Quiet on the set

( esse inclusive tem senha e para os pais que querem controlar o volume dos sons ouvidos pelo filho)

Sound-lock

 

Além de regular o seu fone para um volume abaixo dos 80 decibéis, outro cuidado fundamental é fazer pausas: meia hora com fone, meia hora sem fone.

 

O fone de ouvido não deve ser utilizado para fugir dos barulhos do ambiente externo como a família atrapalhando o home office, colegas falando alto no trabalho e outros motivos além. Ao invés de usar fone poderia ser usado plugs ou fones específicos que bloqueiam o som. Assim, você vai se concentrar melhor e não vai fazer mal à sua audição.

 

E qual seria o melhor fone ?

Fonoaudiólogos e otorrinolaringologistas recomendam o uso dos fones over-the-ear . Ao contrário dos plugs, esse modelo fica mais distante e diminui a chance de perda auditiva.

 

Outra coisa importante é não usar fone somente de um lado, pois um ouvido complementa a informação do outro. Então, se você usa de um lado só, além de estar sobrecarregando um lado ( e pode aumentar ainda mais o som para compensar), não estará vivenciando o som como um todo.

Depois de uma hora usando fones de ouvido, o número de bactérias na região pode aumentar 700 vezes. Se o seu ouvido coça, você pode ter contraído algum tipo de infecção. Um bom motivo para NÃO EMPRESTAR seu fone..

 

Caso você apresente um zumbido intenso por mais de dois dias, melhor procurar avaliação médica.

Se o seu filho fica com os fones desde pequeno, comente ao seu pediatra na consulta. Ele vai examinar, conversar e, se achar necessário, encaminhar para uma consulta com o otorrinolaringologista.

Com os adolescentes, a conversa pode ser mais difícil, mas o cuidado precisa ser o mesmo. Além da música, eles também se expõem com o som alto dos games!

Observe a rotina: horas de uso, pausas e volume. E perceba o que acontece quando ele tira o fone…

Para os adultos, principalmente aqueles que têm histórico de perda de audição na família, é bom colocar no seu planejamento de check-up anual, uma visita ao otorrinolaringologista e se você trabalha em locais barulhentos, como lojas, fábricas, restaurantes, mesmo que ache que está “acostumado” pode estar antecipando perdas que poderiam ser prevenidas.

 

 

 

carlos
carlos
Médico Pediatra formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Fez Residência Médica em Pediatria pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Membro da Sociedade Brasileira e Paulista de Pediatria. Faz parte do Corpo Clínico dos Hospitais Albert Einstein, Sírio Libanês e Santa Catarina.

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