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Como falar de morte com as crianças?
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Desde nossa vida intrauterina até a velhice estamos descobrindo sensações e nos conhecendo, em nossos sentimentos: o que gostamos, o que nos dá prazer, o que nos desagrada.

Ainda dentro do útero, o primeiro sentido estimulado e usado é a audição: escutamos e nos acalmamos com o som da voz de nossa mãe e nos assustamos com barulhos repentinos e desconhecidos.

Ao nascer descobrimos o que , naquele momento se mostra “o maior de todos os prazer, impossível de ser superado” : MAMAR!!! Instintivamente, naturalmente, oferecemos nossa “mama” até então símbolo de sexualidade, para o deleite do bebê. E, ao vê-lo revirando os olhinhos de tanto prazer nos regozijamos de orgulho!! Aprendemos aqui a primeira lição: Um prazer novo e intenso parece insuperável e eterno” (lembre disso ao ver sua filha apaixonada pela primeira vez na adolescência!!).

Depois abrimos os olhos! E ao abrir os olhos descobrimos não só o outro, mas a nós mesmos: o encontro do olhar do bebê com sua mãozinha é inesquecível. “Vejam! Eu tenho uma mãozinha, posso vê-la e controla-la” .

Por volta dos 6 meses uma nova descoberta: O mundo dos sabores! Prazer tão grande que leva muitos seres humanos ao abuso que gera obesidade. Aqui começa, então, nosso papel de “Educadores do prazer”, mostrando que tudo tem limites, que devemos experimentar sabores, cores, texturas, temperaturas, diferentes, evitar açúcar (apesar de ser um “prazer natural e instintivo!) . Segunda lição: prazeres podem levar ao abuso! Lembre-se disso. E é missão dos pais EDUCAR para evitar desvios.

Crescendo mais um pouquinho começo a dominar ainda mais o meu corpo, a ponto de decidir quando quero fazer xixi e cocô. E a mamãe ensina ONDE é o lugar certo. Terceira lição: tem hora e lugar para fazer certas coisas. E é feio fazer certas coisas na frente das pessoas. Use o mesmo tom mais tarde, em relação às brincadeiras íntimas.

Próximo passo: largar as fraldas!! O que tem dentro dela?? Meu “pipi” !!! Que legal mexer no meu “pipi” !! puxa pra cá, puxa pra lá…. é muito gostoso!!! (lembre-se, o papai também acha gostoso!!) . É natural, fase de descobertas… E o papel dos pais?? Pode fazer coco na sala? Não!!! Pode comer doce à vontade Não! Pode enfiar o dedo no nariz (principalmente na frente dos outros? Não! E também não pode ficar mexendo no “pipi” na frente dos outros…. mas use o mesmo tom… natural, educativo, sem carregar no preconceito, pois a criança não tem EROTISMO! É só sensação mesmo. E, que bom que é bom!

Lembro de um pai que ficou muito assustado porque a filha, no banco de traz do carro, falou pra ele, após ele passar numa rua de paralelepípedos: “papai,volta naquela rua, faz uma coceguinha gostosa na minha piriquita!!. E, claro, tudo que nos dá prazer vamos querer repetir. Muitas vezes! Então, ao descobrir este novo “prazer” é normal que ele seja repetido por um tempo. Até descobrir novos prazeres. Lá pelos 6 anos, brincar e aprender coisas na escola costuma superar o prazer com a sexualidade. Nesta fase também surge o PUDOR que deve ser respeitado. Já na adolescência, daí sim o erotismo entra em cena. Mas isso é outra conversa!

Ah! Importante: meninas têm “piriquita” ou qualquer outro nome que queiram usar. E meninos tem “pipi”. É bom deixar isso esclarecido logo, pois um dos traumas descritos é quando a menina descobre que o amiguinho tem e ela não, e acha que alguém cortou o dela! E o menino ao ver a menina sem “pipi” fica com medo que cortem o dele também!!! Isso é bem fácil para pais que tomam banho junto com os filhos e logo vão explicado as diferenças. Ou do irmãozinho, ou ainda recorrer a livros ilustrados (Eu gosto do Papai, mamãe e Eu, da Marta Suplicy).

Sobre as perguntas que vão surgir, por favor respondam de forma clara e objetiva APENAS o que foi perguntado: Exemplo: De ondem vê os bebês? Da barriga da mamãe. Ponto. Como ele foi parar lá pode ser a próxima pergunta. E haverá outra resposta. Mas, se na primeira pergunta você resolver dar uma aula, nem espere pela próxima pergunta!

Mas quando devo me preocupar? Se as brincadeiras relacionadas à sexualidade forem compulsivas ou recorrentes. Procure mudar a crianças de atividade sem censurar a atividade anterior. Mostrar outros prazeres. A criança vai perceber naturalmente que não era pra fazer aquilo naquele momento.

Também deixe claro pra criança que “pênis, vulva e bumbum” é só deles, exclusivamente deles, portanto deve estar sozinho para brincar e que ninguém deve brincar com o deles.

E não se esqueça: criança não tem excitação! O prazer é sensorial!!

É, ser mãe e pai não é fácil! Mas é um prazer e tanto, não é mesmo???

 

carlos
carlos
Médico Pediatra formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Fez Residência Médica em Pediatria pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Membro da Sociedade Brasileira e Paulista de Pediatria. Faz parte do Corpo Clínico dos Hospitais Albert Einstein, Sírio Libanês e Santa Catarina.

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