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Síndrome do Imperador

Crianças que não tiveram limites durante a formação podem se tornar adultos com dificuldades para entender e obedecer regras

“Meu filho pequeno quer mandar em mim e na minha casa, não sei mais o que faço”.

“Meu filho  de cinco anos estava se tornando o dono da TV da casa. Não deixa ninguém assistir a outro programa que não fossem os desenhos de que ele gosta”.

Meu filho  “exige” que os pais façam tudo o que o que ele quer. E tem que ser na hora! E, se e se não fazemos, é birra na certa.

Quando contrariado, o menino se torna agressivo. Passa a querer bater nos pais e na irmã, além de ficar “emburrado” e falar palavrões.

Alguém já ouviu essas frases? É a famosa Síndrome do Imperador!

A “síndrome do imperador”

A psicologia define a “síndrome do imperador” como um conjunto de comportamentos inadequados construídos ao longo da infância por crianças que não tiveram limites em sua formação e passaram a ter dificuldade de compreender regras e de respeitar a autoridade.

Na definição, duas palavras que eu gostaria de destacar: “limite” e “autoridade”. De fato, é preciso ensinar as crianças, desde cedo, que tudo na vida tem regras e que elas precisam ser respeitadas. Ninguém pode sair fazendo o que dar na cabeça, principalmente quando o assunto é obediência aos pais e às regras da família e da sociedade.

Mas não é só a ausência de limites e de autoridade por parte dos pais que acaba por gerar uma criança mandona.

Possíveis causas da “síndrome do imperador”

1.Terceirização da educação. Por causa do trabalho, os pais podem passar muito tempo longe dos filhos e terceirizam a educação para as babás, creches ou parentes. Quando estão com as crianças, pais e mães querem superprotegê-los e sentem até dificuldades em contrariá-los. Atender todas as vontades dos pequenos para compensar uma ausência pode ter consequências drásticas;

  1. Educação permissiva. Tem a ver com a falta de limites. Há pais que, na ânsia de garantir liberdade e aprendizado, permitem que os filhos façam o que quiserem. Mas, muitas vezes, acabam perdendo as rédeas. Resultado: filhões mandões e mimados;
  2. Filhos únicos. Não é regra, mas, geralmente, os filhos únicos são mais superprotegidos. Sem ter que dividir tempo e dinheiro com outros filhos, os pais, muitas vezes, acabam fazendo tudo o que eles querem.

Como tratar

A boa notícia é que esse mau comportamento dos filhos tem cura! Mas a mudança, claro, depende totalmente dos pais. Aqui vão três formas de reverter o comportamento autoritário dos filhos:

  1. Aplicar a inteligência emocional na educação dos filhos.Os pais precisam ensinar os filhos a reconhecer as emoções e a lidar com elas;
  2. Cultivar habilidades não violentas.Em casa, os pais precisam evitar gritarias e discussões fora do tom perto das crianças. Os progenitores precisam incentivar o diálogo e a escuta. E o exemplo dos adultos é primordial para inspirar o comportamento dos filhos;
  3. Colocar limites.É preciso colocar regras claras sobre o que pode e o que não pode na dinâmica familiar e social. Depois, cobrar as crianças quando elas ultrapassarem as linhas estabelecidas. Saber dizer não é uma grande vantagem para quem não quer ter um filho mandão e sem limites.

Enfim, os pais precisam estar atentos aos comportamentos dos filhos. Se algo incomodar (como no caso do meu amigo), é hora de acender a luz amarela. Reflita sobre como está sendo a educação que você está dando para ele, as possíveis causas do comportamento que desagrada e o que é preciso para corrigir. Se for preciso, procure ajuda profissional, converse com os amigos que também são pais.

Afinal, é nossa missão formar verdadeiros cidadãos, que saibam quais são seus lugares no mundo (e respeitem os lugares dos outros – em todos os sentidos).

 

Dr. Carlos
Dr. Carlos
Médico Pediatra formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Fez Residência Médica em Pediatria pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Membro da Sociedade Brasileira e Paulista de Pediatria. Faz parte do Corpo Clínico dos Hospitais Albert Einstein, Sírio Libanês e Santa Catarina.

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