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Happy children in language camp with flags on cheeks

É evidente que as crianças mudaram, assim como o mundo.

Hoje, elas são muito mais precoces e estão sofrendo as consequências disso.

As crianças estão aprisionadas nas exigências do futuro extremamente competitivo que as espera, alienadas e condicionadas a responder de maneira supostamente correta aos olhos do adulto, a uma educação limitante, que as impede de realizar aquilo que existe de mais importante e natural na sua idade: a capacidade de brincar. Assim, elas vão perdendo a espontaneidade, a curiosidade, a criatividade, o espírito investigativo e a autonomia.

Cada vez mais, meninos e meninas passam a fazer parte do mundo adulto, compartilhando das mesmas regras, dos mesmos espaços limitantes, pensando realisticamente ou negativamente demais, abandonando as suas fantasias e vivendo uma rotina estressante. Desta forma, a perda da autonomia, transforma essas crianças em cordeiros obedientes e despreparadas para enfrentar esse futuro que se mostra, até agora, de forma extremamente cruel, competitivo e violento.

A tecnologia invadiu o mundo e deve ser usada com cautela. No início, o homem a dominava e hoje, ela passou a dominar o homem.

O uso abusivo da internet, conduz as crianças à solidão. Para a criança, a falta do envolvimento social, corporal e emocional que caracteriza o mundo virtual, pode ser catastrófica.

O mundo precisa de gente que goste de gente, precisa de uma rede de apoio e de troca nas relações humanas. Você sabia que a maior tristeza, para a maioria das crianças, é ficar ou brincar sozinho? E que aproximadamente 87% das crianças se sentem mais felizes quando estão cercadas pela família?

As crianças privilegiadas por se relacionar com avós, tios, primos, amigos, têm a oportunidade de aproveitar muitos modelos no aprendizado da vida. A família é a única terapia preventiva e curativa no envolvimento com o uso de drogas.

Os pais precisam participar mais da infância do filho. Essa é uma das condições básicas para tornar-se uma pessoa e para a saúde mental infantil.

A sugestão da participação na infância, não é assistir televisão juntos ou jogar videogame, nem em sair para tomar um lanche, lavar o carro, ir ao shopping ou ao supermercado. Muitos pais estão ao lado da criança, mas a quilômetros de distância, presos em seus afazeres e pensamentos.

Estar junto dos filhos e da família e fazer coisas que sejam do interesse de todos, com alegria, estando inteiro na relação mesmo que por pouco tempo, já é o suficiente.

As necessidades das crianças não consistem em ter muitas atividades e brinquedos (embora os brinquedos sejam importantes). Na maioria das vezes, elas precisam da família por perto, mais amor, atenção, interesse e aceitação.

A criança tem um mundo próprio, quanto mais próximos os pais e os familiares estiverem dela, mais depressa ela será ajudada a compreender o universo em que vivemos.

Sentir-se aceita e cercada pela família, faz com que a criança se sinta segura e amada.

Faz com que ela construa as bases necessárias para o seu processo de SER e de vir a SER.

 

 

 

carlos
carlos
Médico Pediatra formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Fez Residência Médica em Pediatria pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Membro da Sociedade Brasileira e Paulista de Pediatria. Faz parte do Corpo Clínico dos Hospitais Albert Einstein, Sírio Libanês e Santa Catarina.

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